A disponibilidade energética é um dos pilares da competitividade em plantas industriais, sendo determinante tanto para a expansão da capacidade produtiva quanto para a confiabilidade das operações. Frequentemente, a necessidade de novos circuitos exige atualizações na infraestrutura elétrica existente, o que impõe desafios complexos de engenharia como limitações de espaço físico, prazos restritos de intervenção e a obsolescência de equipamentos que já não acompanham os padrões atuais de segurança e desempenho.
Neste projeto, as restrições físicas do local, aliadas à necessidade de expansão das instalações, criaram a oportunidade ideal para a implementação de uma nova filosofia de distribuição adotando painel blindado. O sistema, que antes operava com distribuição de média tensão em baias abertas e proteção concentrada em disjuntor único, foi modernizado com a instalação de um painel de cabine blindada - Schneider SM6-36, equipado com proteções distribuídas por circuito. Essa melhoria não apenas permitiu a alocação de novas cargas, mas também elevou a segurança da operação ao utilizar componentes modernos, compactos e altamente confiáveis.
Da Proteção Concentrada às Proteções Distribuídas: Ganhos de Segurança e Flexibilidade
A substituição do modelo de proteção concentrada por um esquema de proteções distribuídas representa um salto de confiabilidade para a operação da planta. Cada circuito de saída passa a contar com sua própria proteção, isolando faltas de forma seletiva e sem impactar os demais alimentadores do painel, o que antes não era possível com um único disjuntor protegendo todo o sistema. Construído conforme a norma NBR IEC 62271-200, o cubículo ocupa uma fração do espaço exigido pela antiga distribuição em baias, deixando a subestação preparada para acomodar futuras expansões sem novas obras civis.
Solução Técnica
As atividades realizadas pela equipe da PSO Engenharia envolveram as seguintes etapas:
- Descomissionamento de Instalações Obsoletas: Desativação segura e retirada dos componentes obsoletos de média tensão, liberando espaço físico para a acomodação das novas instalações sem interromper o fornecimento às cargas já existentes;
- Montagem Eletromecânica: Instalação de infraestrutura seca (eletrodutos, leitos e suportes) e montagem completa da cabine blindada Schneider SM6-36, incluindo a interligação dos cubículos e o aterramento de toda a estrutura metálica;
- Infraestrutura de Distribuição: Dimensionamento e instalação dos novos circuitos de média tensão, contemplando cabos, terminações e barramentos compatíveis com a expansão de cargas prevista para a planta;
- Comissionamento: Ensaios preliminares de resistência de isolamento, continuidade elétrica e testes de operação dos dispositivos de proteção com maleta de corrente, validando a atuação correta de cada relé antes da energização;
- Startup: Acompanhamento técnico durante a partida das novas instalações, assegurando o compromisso da PSO com a entrega e a conformidade operacional conforme o projeto executivo.
Toda a intervenção foi planejada para minimizar o tempo de desligamento da planta, com as etapas de descomissionamento e comissionamento executadas dentro de janelas de manutenção programadas. As atividades seguiram rigorosamente a norma NR-10, com procedimentos de bloqueio e etiquetagem em todas as frentes de trabalho, garantindo uma montagem segura e tecnicamente precisa, sem comprometer a rotina produtiva do cliente.
Resultados
Hoje, o novo ramal de 23,1kV encontra-se em operação plena e segura. Além de viabilizar a expansão da planta, o retrofit entregou ao cliente um sistema moderno para o monitoramento contínuo da demanda e do consumo elétrico. Esses novos dados geram indicadores de processo que são essenciais para o controle de qualidade e a otimização contínua da produção.
A adoção de proteções distribuídas por circuito também reduziu o impacto de eventuais faltas: hoje, uma falha em um alimentador específico é isolada pontualmente, sem afetar os demais circuitos atendidos pelo mesmo painel — um ganho direto de disponibilidade em relação ao antigo arranjo com único disjuntor.
Sob a ótica de manutenção, os cubículos SM6-36 dispensam manutenção da parte de média tensão isolada a gás, reduzindo a necessidade de intervenções futuras e o custo total de propriedade do ativo ao longo de seu ciclo de vida. Combinado ao ganho de espaço físico obtido com a solução blindada, o projeto deixou a subestação pronta para acomodar novas expansões, fortalecendo a competitividade da planta no médio e longo prazo.
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